Foto: Paula Perrier
Ser feliz nesse nosso planeta, não é coisa fácil.
O cara fica parecendo um ser flutuante, numa borbulha própria, a se declarar feliz com as belezas possíveis da vida, num mundo que exige prontidão, seriedade, defesa contra possíveis perigos…
Num mundo que muitas vezes entende a tristeza com mais facilidade do que a felicidade. Aquela que a gente pode sentir nas coisas simples da vida, como um vento soprando na nossa cabeça.
O que nada tem a ver com ser cabeça de vento!
A vibe (boa) de Wem é essa, só que ele mantém sempre a atenção na necessidade de ser inventivo, encontrando caminhos sonoros mais improváveis e mais interessantes.
Além disso, ele conseguiu criar uma atmosfera moderna, atual, e ao mesmo tempo, mostrar um pé firme no Brasil mais profundo.
E nesse sentido, eu me identifico com ele, pois meu CD, “Excelentes Lugares Bonitos”, é, em boa parte, inspirado no que eu senti ao conhecer centenas de lugares (e festas, e músicas) do Brasil, lá pelos anos 2000.
Aqui no Wem, sambas, bumba boi, cordas, batuques, raggas, pop e beats se espalham ou se misturam, intercalados por canções mais leves, e penso que esse acaba sendo a essência desse disco: o alto astral, as boas vibrações propagadas tanto através do festejo, do balanço e da dança, quanto através da pausa, do relaxamento, do curtir o aqui e agora (curtir no sentido antigo, hippie, da palavra).
Beto Villares
Wem fez um disco bem musical, com uma base instrumental profunda, cheia de detalhes bem sacados, timbres descolados, e isso dá um prazer enorme de ouvir e reouvir muitas vezes.
Paulo Tatit